segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Balanço provisório

Nas passadas semanas os meus colegas e os seu sindicatos resolveram mudar de estratégia. Depois de até sindicalistas, distintos camaradas do dr.Mário Nogueira, terem entregue os objectivos individuais os OI, de repente - quanto todos perceberam que maioria (senão a esmagadora maioria, veremos no final) – dos professores ter entregue os OI (pressionados? para quem nao quer fazer a avaliação qualquer coisa que se diga é uma pressão, pois claro!), agora são todos pelo cumprimento do quadro legal, ou pelo menos ao que lhes convém. Ou seja, depois de meses a apelar ao não cumprimento da lei, os professores querem agora que ela seja cumprida à risca, com tudo a que têm direito!

Isto tem o seu lado de cómico, afinal de contas. Reparem: durante muito tempo não queria entregar os OI, decisivos para a avaliação; agora, os ditos OI, dizem-nos, afinal não contam para nada, e os que não entregaram aparecem a dizer que a única coisa obrigatória é auto-avaliação. Como é que as pessoas são depois avaliadas num sistema que assenta essencialmente na hetero-avaliação é que ainda ninguém me conseguiu explicar, claro. Mas isso também não conta muito: agora todos se sentem apoiados num parecer produzido pelo distinto dr.Garcia Pereira, que, pago pelos professores, concluiu que tudo isto é inconstitucional. Espantoso: um especialista pago pelos professores produz um perecer que sustenta o que os mais teimosos desconfiaram desde sempre! Extraordinária alquimia.

Talvez o país prefira saber que os professores, agora, afinal, pretendem zelar pelo perfeito cumprimento da lei – não fosse , claro, estar toda a gente preocupada com a crise, e não com a birra dos professores. Birra, sim, porque a atitude e a vontade em (não) ser avaliado é a mesma, apenas mudou a estratégia, mais uma vez sob a brilhante batuta do dr.Paulo Guinote - que soube arrastar a Fenprof, depois de esta sempre ter dito que esta questão não ser uma questão que se resolvesse nos tribunais. De repente, passou a ser.

Agora a Fenprof quer, para além do famoso cordão humano a unir a 5 de Outubro - que dará óptimas imagens de helicóptero, e quiçá mesmo fotos para colocar no Google Earth - a São Bento, prometem estender a luta pelo 3.º período. Que é o mesmo que dizer, o suicídio: quando os pais dos nossos alunos perceberem que esta fantasia se prolonga pela altura de preparação dos exames, vão cair na realidade. Talvez, nessa altura, também os meus colegas. Se bem me lembro, foi para “salvar” o 3.º período que a Fenprof assinou o memorando com o Ministério em Abril passado. Seria este ano que iria radicalizar a luta? Claro que não.
De qualquer forma, como estamos numa altura em que qualquer táctica vale para não fazer, tudo é possível. De greve em tempo indeterminado a demissão dos PCE, passando pela "greve" à entrega dos OI - expliquem-me por favor: se os OI afinal não são, como dizem os sindicatos e os acólitos do dr.Guinote, essenciais à avaliação, qual o seu motivo de ser?? -, já quase tudo foi equacionado. De qualquer forma, confio na "imaginação" dos meus colegas: eles encontrarão novas formas de "luta" e de se manterem "unidos".
Infelizmente, não é para isto que eles são pagos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Quem tem medo da avaliação são os maus professores"

Se a nova geração de professores pensar como algumas destas pessoas entrevistadas nesta excelente peça do Diário de Notícias, fico um pouco mais descansado em relação ao futuro...pelo menos a probabilidade da "situação" actual se repetir será bastante mais reduzida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Frase do mês (ou do período lectivo)

«P: Como devem resistir os professores?

R: Cada docente está, neste momento, confrontado com a decisão individual de participar ou não de forma activa num processo de avaliação de que a generalidade diz discordar. Assinar moções é inútil se isso não se concretizar no acto individual de não entregar os objectivos individuais.»

O dr.Paulo Guinote, hoje, em entrevista ao "Diário de Notícias". Parece que descobriu a pólvora. Espero que divulgue isto bastante no seu blogue, pode ser que esclareça algumas mentes. E pode ser que percebam porque estão e vão perder a 'guerra'.

Entendam-se

Parece que o dr.Paulo Guinote e os seus acólitos pediram ao dr.Garcia Pereira matéria para entupir os tribunais - seguindo a velha estratégia sindical. Mas parece que vão ter que convencer o dr.Mário Nogueira, que disse ao "Correio da Manhã" de ontem isto: «Quando acharmos que os problemas se resolvem nos tribunais bem podemos desistir, até porque demora muitos anos. E nós não estamos a lutar contra ilegalidades».

O dr.Mário Nogueira, fiel membro do PCP, não deve ter gostado muito do grande líder "sindicalista-sombra" - o dr.Paulo Guinote - ter recorrido aos recursos da cara do PCTP-MRPP. Há guerras à esquerda que nunca são esquecidas.

Um sinal muito revelador...

Abel Macedo, Júlia Vale, Adriano Teixeira de Sousa e Carlos Midões, elementos da direcção desta estrutura que integra a Fenprof e a CGTP, acusam o PCP de perseguição e admitem que outras saídas poderão ocorrer.
Em causa estará o apoio dado por estes sindicalistas a Manuela Mendonça, que foi concorrente de Mário Nogueira nas eleições para a direcção da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
Contactado pelo Expresso o PCP "esclarece que se trata da formalização pelos próprios de uma situação há muito verificada".


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O país tem mais em que pensar

Se bem me lembro, nenhuma das antenas abertas de rádio ou televisão de hoje foi dedicada à greve dos meus colegas - um sinal muito revelador de como os orgãos de comunicação social estão a começar a ficar um pouco fartos disto.

O culto da personalidade...

...da FENPROF não pára de me espantar...Depois das entrevistas a si próprio (!), agora já temos o Mário Nogueira em versão vídeo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

E só agora é que perceberam isso?

"A demissão em bloco de professores que foram eleitos pelos seus colegas para os representar não iria resolver qualquer problema. Seria antes uma traição aos professores que os elegeram", disse ontem a dra. Rosário Gama à saída de reunião de 4 horas (!) no ME.

Pergunto-me se ninguém se lembrou desta conclusão óbvia quando resolveram ameaçar com a demissão colectiva. Eu já aqui tinha dito: a inexperiência política destas pessoas é confrangedora, e o estado de desespero em que estão é por demais visível.

Mas há mais: percebe-se que a dra.Rosário Gama só reconhece o que os seus pares querem num dado momento, mas não o que lei manda fazer. É uma concepção muito adolescente de democracia, e leva à completa desresponsablização dos líderes. O que a dra.Rosário Gama faz, com comportamentos destes, é legitimar a mudança no enquadramento jurídico que o Governo levou a cabo no regime de gestão e autonomia das escolas, instituindo a figura do director, porque com pessoas destas à frente das escolas, as decisões difíceis para a maioria - mas em conformidade com a lei - vão sempre para a gaveta.

A dra.Rosário Gama acha que não vive num Estado de direito, mas num estado das "multidões enraivecidas". E dá-lhes razão. Chamam a isto 'coragem'?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Burocracia!


Este é uma imagem do documento que a FENPROF elaborou para servir como guia para as discussões nas escolas que decorreram no dia de ontem (disponível daqui). A minha observação imediata é que não ouvi ninguém a dizer que o documento era uma chatice de preencher e bastante burocrático: tem 4 páginas, uma das quais integralmente ocupada com campos que fazem lembrar as grelhas de avaliação do ME, pomposamente intitulado "Registo das conclusões da reunião"...Quando é para protestar, não há burocracia que incomode.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Não pode haver professores "muito bons" e "excelentes"

É isto que se conclui da intenção da Plataforma sindical de fazer greve às aulas assistidas. Se for tudo mediano, não há problema nenhum.

domingo, 11 de janeiro de 2009

As moções de suspensão não são "meios legais"

Nesta notícia do DN de sábado que dá conta que Vinte escolas suspenderam avaliação em dois dias, lê-se: «"Os professores sentem que têm o direito à indignação através dos meios legais", diz João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (...)».

Acontece que, como João Dias da Silva bem sabe, uma moção de suspensão ao nível da escola não tem nenhuma validade legal. A avaliação é um direito individual, e não há documento nenhum de um qualquer colectivo auto-proposto que possa impedir um professor que queira entregar os seus objectivos individuais e avançar com o seu processo de avaliação de desempenho.

Aliás, Ilídio Trindade também sabe disso. Por isso, «confirma que o dia 13 será decisivo na luta contra a avaliação, mas defende que a partir de agora é preciso começar também a fazer a contabilização professor a professor, e não apenas das escolas que aprovam a suspensão: "É que, mesmo se tivéssemos o caso de todas as escolas apresentarem os objectivos individuais, haveria ainda assim muitos professores que não o fariam e continuavam a resistir. Poderiam até ser a maioria. E é preciso fazer essa contabilidade"».

Ora, o que significa isto, na verdade? Significa que os que não concordam com as moções vão ser identificados, apontados, quantificados, e ainda mais ameaçados do que já são. É bom que estas práticas sejam feitas de forma transparente e que apareçam na imprensa. Tudo, claro, com a benesse dos sindicatos.

Isto mostra bem a estratégia em curso: a da intimidação aos colegas que não alinham com esta farsa e que está a custar os olhos da cara à imagem pública da classe.

Lucidez

Um texto lúcido de António Alberto Silva, Professor na ESE do Porto, a ler atentamente aqui.

A via cada vez mais estreita da resistência

O decreto-regulamentar relativo à avaliação foi promulgado pelo PR e publicado no Diário da República. No parlamento, as propostas do PSD, do BE e do PEV foram chumbadas na passada quinta-feira. Isto não parece fazer diferença nenhuma para os professores, que estão a ver a via legislativa da resistência cada vez mais estreita.

Hoje, decorreu a reunião famosa reunião de Santarém com PCEs. Aparentemente, estiveram 10% das escolas do país. Mas estes PCEs representam o quê, para além deles próprios? O Conselho das Escolas tem legitimidade institucional. Este grupo de pessoas que se associaram não tem legitimidade nenhuma. O PREC está decididamente de volta.

Entretanto, o país está mergulhado numa crise social e económica impressionante. O que achará o país de dezenas de milhares de profissionais que protestam não porque vejam os seus postos de trabalho em perigo, não porque tenham salários em atraso, mas simplesmente porque não querem ser avaliados?

Uns lunáticos falam mesmo em greve por tempo indeterminado. São uns iletrados em política, vê-se. Quando o dr.Mário Nogueira vem dizer que isso seria irresponsável, está tudo dito sobre a capacidade estratégica dessa gente.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Uma de muitas vozes pela real valorização profissional

Agora on-line no "Expresso": A professora que defende a avaliação.

Manipulação estatística II

O "Jornal Notícias" escreve hoje que a DECO já recebeu 135 queixas do e-escolas. Não sei se o jornalista - que deve ser também etnólogo, dado que nos informa que «[o]s lamentos são muitos. Em fóruns na Internet, em telefonemas para a comunicação social, na rua, nos transportes e nos cafés»... - queria criticar o programa do Governo, mas....135 queixas em quantos computadores distribuídos?? 100 mil? 200 mil? 300 mil? 400 mil? A ser verdadeiro, o valor de 135 queixas é um número ridículo...

Fátima II

Depois de D.José Policarpo, foi a vez de D.Carlos Azevedo ter abordado a questão da controvérsia política em torno dos professores:

«O bispo auxiliar de Lisboa considerou que os professores têm sido usados como instrumento e que a questão da avaliação dos docentes tem sido extrapolada à custa da influência dos professores.
Em entrevista à TSF, D. Carlos Azevedo, que considerou que o ensino está, mesmo assim a atravessar uma boa fase, espera que a «arte tão difícil de ser professor não seja aproveitada meramente para os fazer reagir a uma dimensão muito pequenina que é a avaliação».
"Há aqui um aproveitamento do descontentamento só para a dimensão da avaliação e acho que os professores deviam estar mais atentos a estes processos", explicou o antigo porta-voz do episcopado.»

Ruptura anunciada?

A notícia do Diário de Notícias de hoje dá conta de como Mário Nogueira procura 'segurar' a Plataforma nas negociações com o ME sobre o ECD. Não se procura 'segurar' senão aquilo que está quase a 'partir-se'.

Esperemos pelos próximos capítulos. Mas é provável que a aliança PSD-PCP na Plataforma já tenha vivido melhores dias...

Manipulação estatística

Depois de uma manifestação de 120.000 que contou com muitos não-professores (como é lógico; porqueé que a imprensa não explora esta questão?), agora um abaixo-assinado que contará com muitas assinaturas, de novo, de não-docentes?

A FENPROF está mesmo à espera que acreditemos nos números que torna públicos? É lógico que este abaixo-assinado tinha que ter um pouco mais do que o de 2006, que tinha reunido, alegadamente, 65 mil assinaturas. Agora tinha que ser um pouco mais. 70 mil era um número previsível.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estou comovido

Os títulos dos nossos diários de referência de hoje sobre os professores são comoventes:

"Líderes sindicais não têm avaliação nem progridem", diz o Diário de Notícias

"Maioria dos docentes acredita que avaliação vai prejudicar aulas e relação com os colegas", diz o Público.

Pergunto candidamente: mas seria aceitável o contrário??? A questão devia ser como é que Mário Nogueira chegou onde chegou na carrreira sem ensinar há duas décadas. Alguém se espanta que este sindicalista aceite que aulas observadas façam parte de um modelo de avaliação?

Um processo de avaliação cria "mau ambiente" nas escolas? Bom, talvez. Mas acho estranho que agora, só agora, os professores estejam preocupados com o "ambiente" nas escolas. No passado, antes de estarem "unidos", como agora dizem, ninguém se preocupava com a qualidade do clima humano no seu interior. E, garanto-vos pelos vários sítios por onde passei - e pelas pessoas que conheço pelo país fora - que esse clima não era famoso. Só quando chega a avaliação é que os meus colegas se preocupam com isso?

E já agora, se a avaliação cria mau ambiente, que tal acabarmos com a avaliação aos alunos? Assim, uma escola sem professores e alunos avaliados seria uma "escola feliz", como diz o poeta de serviço.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Facilitismos

Circula pelos órgãos de comunicação social a notícia de que 75% dos professores mudavam de profissão se tivessem alternativa. Eu sei que isto não é muito politicamente correcto nesta altura, mas podiam informar como foram escolhidos os inquiridos?

Os dados são do Observatório da Avaliação de Desempenho, órgão criado pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho, e foram inquiridos mais de mil docentes, mas a questão central é como foram seleccionados. É que se, como me parece ter acontecido, as pessoas preencheram o inquérito livremente on-line, então acontece o que acontece sempre em fenómenos deste tipo: os mais mobilizados, que são também, nesta altura, os mais descontentes, são os que mais respondem, acabando por ter uma representação nos resultados finais muito superior ao que teriam se a amostra sido tivesse cuidadosamente construída para respeitar critérios de representatividade da classe.

Se isto não aconteceu, estes dados valem o mesmo que aqueles que podemos obter num inquérito num site de um jornal ou de uma televisão, como já houve muitos. Ou seja, nada.